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És só um entre milhões mas tens a força de mil homens

      A rua está quase escura e sossegada. Só os candeeiros como pirilampos iluminam alguns pedaços do alcatrão. Não estás longe, eu sei. Sei que vês o mesmo que eu.      As luzes das casas estão acesas. Estão todos no aconchego do seu lar. Estás também na tua casa, e eu na minha. Tão longe e tão perto, eu sei. Não sei se sentes o mesmo que eu.        Os dias são todos iguais. Tal como eu me sinto. Não consigo sair desta espiral de agonia e frustração. Cada vez é pior. O mundo avança, mas eu continuo no mesmo sítio. Todos avançam e eu fico para trás. Tu avanças e eu fico ao longe a olhar. Tens força e coragem para ir à conquista do mundo. Do mundo que queres ser.     És só um entre milhões mas tens a força de mil homens.     Eu só sou uma entre milhões mas tenho a força de uma pena.     Não tenho força para seguir em frente.

Prosa: Um em um milhão

Este texto foi escrito há uns tempos e baseia-se numa história de amor não correspondida de uma amiga minha que gosta de um rapaz desde sempre. Apesar de se terem encontrado por breves instantes na estação de comboios da localidade onde eles vivem, conseguiu perceber que algo nele mudara. Ela nunca lhe disse que gostava dele e acha que nunca lhe chegará a dizer pois eles agora estudam em cidades diferentes, e ela sabe que ele já viveu, viu e experienciou muitas coisas e por isso mesmo talvez já não olhe para as coisas do passado como antes. Visto que ele já viu mais e melhor não quererá de certo voltar para trás, para ela. É uma pena ela nunca ter-lhe dito que o amava, quem sabe se não teria mesmo nascido uma linha história de amor?           O rapaz que eu conheci há uns anos atrás transformou-se num homem. Mais maduro, mais responsável, mais ativo. No entanto, o que não mudou, e penso que nunca mudará, é a profundidade dos seus olhos. Como dois poços infini...